Entrevistas

 


      



Entrevista com a Dona Helena, servidora do Ministério Público, realizada em 28/12/2006, na biblioteca do Ministério Público, por Thaisa Mendonça.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Qual é o seu nome completo e data de nascimento?

Helena Dias Bezerra.13 de Agosto de 1950.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Qual é a ocupação da senhora aqui no Ministério Público?

Helena Dias Bezerra: Aqui na Procuradoria, é auxiliar ministerial.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Quais foram as suas ocupações anteriores?

Helena Dias Bezerra: Era muita coisa, eu não tinha emprego e fazia tudo para ajudar dentro de casa, lavava roupa, fazia faxina, era um bocado de coisa, aqui mesmo com os Procuradores, eu trabalhava.Eu fazia faxina, lavava a roupa dos Procuradores, esse pessoal aí, ajudava, não sabe? Trabalhei antes em uma lavanderia, mas não foi carteira assinada, tudo isso.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Como foi o ingresso da senhora no Ministério Público?

Helena Dias Bezerra: Eu morava lá na Procuradoria e eu entrei assim...Lúcia era funcionária só, aí ela só vivia doente e eu via a Procuradoria suja, aí eu comecei a limpar e comecei a fazer café, dava aos Procuradores e funcionários, aí entrei assim. Trabalhei um ano e o procurador me contratou, o procurador na época era Dr Otalício, aí ele tinha medo de me contratar porque eu e Lúcia só vivíamos brigando, Lúcia era medonha que só, nisso passou um ano, mas sempre eu ganhava um dinheirinho, a secretária sempre me dava um dinheirinho no final do mês. Meu marido não queria que eu trabalhasse na Procuradoria, então ele entrava por uma porta, eu entrava por outra, e eu contava com um apoio lá em cima, da secretária, dos funcionários também, Lúcia já trabalhava com o cafezinho, então ficamos nós duas.

Projeto Memorial do Ministério Público:
A senhora teve alguma influência de familiares na decisão de trabalhar no Ministério Público?

Helena Dias Bezerra: Não, meu marido não queria que eu trabalhasse, eu só entrei na Procuradoria devido ao apoio que recebi dos funcionários.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Quais as funções que a senhora já exerceu na Procuradoria?

Helena Dias Bezerra: Aqui, só essa mesmo. Copa, limpeza...

Projeto Memorial do Ministério Público:
Há quanto tempo a senhora trabalha no Ministério Público?

Helena Dias Bezerra: Faz 20 anos.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Quando a senhora entrou no Ministério Público, a senhora lembra quem era o Procurador? Dr Otalício a senhora falou, não foi?

Helena Dias Bezerra: Na época que eu entrei foi o Dr Otalício, pai de Dr Alexandre, aquele Promotor.

 

Projeto Memorial do Ministério Público:
E quais Procuradores a senhora acompanhou? Conte um pouco da história, desde que a senhora entrou.

Helena Dias Bezerra: Quando eu entrei era Dr Otalício, quase no final do governo dele, no último ano de governo eu entrei, aí depois foi depois Edson Lucena, ele era uma pessoa muito legal, igual ao Dr Otalício, foi no tempo de Geraldo Melo. Aí depois de Dr Edson foi Dr Clóvis, não foi? Não tem aí, não?

Projeto Memorial do Ministério Público:
Aqui tem dizendo que foi o Dr Emanuel Cristóvão.

Helena Dias Bezerra: Ah sim foi o Dr Emanuel Cristóvão, Dr Clóvis foi antes do Dr Otalício, Dr Otalício passou doze anos, o Dr Clóvis passou quatro e o Dr Emmanuel passou seis anos, ele foi eleito quatro anos pelo governo e dois anos pelo Ministério Público.

Projeto Memorial do Ministério Público:
E como era naquela época a relação entre os membros e funcionários?

Helena Dias Bezerra: Naquele tempo era pouca gente, não é que nem agora que a repartição cresceu, era um prédio com um primeiro andar que tinha poucos cômodos, em cima tinha quatro cômodos, embaixo só tinha um salão e cinco salas, uma coisa assim...Era tudo legal, tudo bom, naquele tempo tinha época...Quando chegava a época de final de ano tinha muita festa, na repartição mesmo, não sabe? Reunia os funcionários e fazia muita festa, as comidas eram comidas de tacho, era caranguejo, coisa de frango, muita coisa, era como se fosse um almoço, a gente passava o dia todinho na véspera do Natal.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Então havia uma boa relação.

Helena Dias Bezerra: Era, era uma família, ia muitos Promotores, muita gente, a Procuradoria cheia, tinha um terraço muito grande e um salão, era bom, muito divertido assim, porque era menos gente. Agora aqui não, é legal também, mas porque é mais gente, sendo muita gente não se pode fazer como antigamente; aí depois do Dr Emmanuel Cristóvão foi o Dr Anísio Marinho, Dr Anísio Marinho...Ele gostava mesmo, a Procuradoria estava pequena e ele aumentou muito a Procuradoria, ele fez concurso para funcionários, chefe de setor, melhorou muito mesmo. Naquele tempo eu acho que o governo liberava verba, eu não sei, mas melhorou, A Procuradoria ganhou mais autonomia. Por exemplo, esse prédio aqui que a gente está trabalhando, foi ele que conseguiu com Vilma, na época ela era prefeita, ele fez muitas coisas boas.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Quando a senhora entrou no Ministério Público, aonde era a sede?

Helena Dias Bezerra: Era na Prudente de Morais.


Projeto Memorial do Ministério Público:
E como era lá? Já tinha funcionários próprios?

Helena Dias Bezerra: Era um prédio de primeiro andar, tinha quatro cômodos em cima, os funcionários eram funcionários que entravam por intermédio de outras pessoas, por exemplo... Tinha um amigo, conversava com o amigo, um político.

 

Projeto Memorial do Ministério Público:
Não eram concursados não?

Helena Dias Bezerra: Não.

Projeto Memorial do Ministério Público:
A senhora já passou por outras sedes?

Helena Dias Bezerra: Trabalhar mesmo eu comecei na Prudente, agora morar eu morei em quase todas.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Conte um pouco.

Helena Dias Bezerra: Eu comecei a morar na Procuradoria...Sabe aonde é o Palácio da Justiça, não sabe? Aí tinha o Palácio do Governo que agora é Palácio da Cultura, lá onde é a Assembléia tinha um prédio de primeiro andar e tinha uma casa na esquina, com uma garagem atrás. No prédio de primeiro andar funcionava a Procuradoria, aí eu morava na garagem, lá atrás, quando eu comecei a morar meu filho mais velho tinha seis meses, aí a gente se mudou de lá...Eu morei 31 anos e 10 meses na Procuradoria, quando mudou-se de lá foi para rua Apodi, na rua Apodi nós passamos um ano, pois a casa era muito pequena, quando eu fui para a rua Apodi o Procurador era Dr Nogueira, lá era quente e aí nós mudamos para a Prudente, para essa casa...Nós passamos lá doze anos, Dr Otalício passou lá doze anos sendo Procurador, Dr Emanuel passou seis e o Dr Edson Lucena passou quatro.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Quais eram as maiores dificuldades que a senhora tinha?

Helena Dias Bezerra: Nesse tempo a maior dificuldade era que...Eu comecei a trabalhar e o salário era pouquinho, né? E o de Divaldo também era pouquinho, o meu marido era muito...Ele era bastante novo e passeava muito, gastava muito e essa era a minha dificuldade.

Projeto Memorial do Ministério Público:
E quais foram as vantagens que a senhora teve em trabalhar no Ministério Público? Os benefícios que a Instituição trouxe para a senhora.

Helena Dias Bezerra: Pra mim teve muita coisa boa, muita coisa boa, agradeço tanto a todos os Procuradores...(emocionada), a todos os funcionários, criei meus filhos todos ali e hoje estão todos grandes. Muita gente diz assim que os meus filhos são educados, porque eu criei tudo na Procuradoria, era tudo dentro de casa, não era na rua, criei que nem pobre mas tudo bem criado. Mas (pausa)...Não dá pra lembrar não porque dá muita emoção, porque a maioria deles(dos membros) já morreram.

Projeto Memorial do Ministério Público:
Tem algum acontecimento marcante que a senhora lembre? Algum fato que a marcou durante esse tempo todo que a senhora trabalha no Ministério Público?

Helena Dias Bezerra: Aqui aconteceram muitas coisas boas, muita coisa alegre e também muita coisa triste, tem os amigos da gente...Os Promotores que já faleceram, as amigas que já se aposentaram, tem uns que a gente demora muito a ver, mas assim...Muitas coisas boas, todo mundo é amigo, os Procuradores, Promotores...Até hoje eles me abraçam, me beijam, quando eles estão todos lá embaixo eu fico até emocionada, subo com vergonha. Foi uma loteria que eu tirei, esse emprego, viu?





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