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Entrevista com o Dr Cesário Nobre Mariz Maia, Procurador aposentado do Ministério Público, realizada no dia 24/08/06, em sua residência por Sandra Bezerra e Cristiane Bulhões.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Quando o senhor entrou no Ministério Público e quem era o Procurador-Geral na época?
Cesário Mariz Maia:
1982. O Procurador-Geral era o Dr Otalício Pessoa da Cunha Lima. Dos membros do Ministério Público, pelo menos os que eu conheço, talvez eu tenha o maior acervo fotográfico de pessoas da Instituição.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Então a gente veio à pessoa certa.
Cesário Mariz Maia:
Se vocês quiserem fotografias de membros do Ministério Publico, tem gente que acho até que já morreu.
Projeto Memorial do Ministério Público:
O senhor tem fotos do Dr. Sebastião Fernandes Gurgel e Dr. Rômulo?
Cesário Mariz Maia:
Não. Eu só tenho do pessoal da minha época pra cá, do tempo que eu fui Corregedor até agora, porque quando eu era Promotor eu vivia no interior. Pra você ter uma idéia, eu vim embora pra Natal em outubro de 1998. Nove anos atrás. Não conhecia ninguém. Eu chegava na Procuradoria e ia ao departamento pessoal “Olha eu queria saber isso assim, assim, assim”. E o pessoal dizia: “Quem é o senhor”?
Projeto Memorial do Ministério Público:
E fotografias do Dr Manoel Alves, o senhor tem?
Cesário Mariz Maia:
Não, também não. Eu conheci muito Dr. Manuel, mas não tenho fotografia dele. Inclusive, eu estou fazendo um arquivo específico do Ministério Público, pra entregar a associação, porque tem fotografia até de gente que não é mais do Ministério público, que foi embora.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Agora, a Dra. Conceição, a pesquisa dela é um pouco diferente da nossa. A dela é voltada para os Promotores. As dificuldades que os Promotores tiveram na época que entraram, a evolução do Ministério Público a partir do ponto de vista do Promotor. Ela foca muito isso. E a nossa pesquisa tenta resgatar a história da Instituição desde o princípio, desde os primórdios. Por exemplo, a gente não sabe a data da criação do Ministério Público, aqui no Rio Grande do Norte.
Cesário Mariz Maia:
Conceição sabe!
Projeto Memorial do Ministério Público:
Ela disse pra mim que não.
Cesário Mariz Maia:
Eu poderia inclusive, deixa-me ver. Ainda tem algumas pessoas vivas. Olhe, Dr. Edson Lucena, é mais velho do que eu, Dr. Emanuel Cavalcanti, é mais velho do que eu no Ministério Público.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Quando o senhor entrou, atuava em que Comarca?
Cesário Mariz Maia:
Minha primeira Comarca foi para fazer eleição, foi Janduís, depois eu fui, isso como substituto, Janduís, Goianinha, Santo Antônio do Salto da Onça. De Santo Antônio do Salto da Onça eu fui para São Tomé. De São Tomé eu fui para Marcelino Vieira e Alexandria. De Marcelino Vieira e Alexandria fui transferido pra São Miguel. Em São Miguel passei sete anos e três meses. Larguei minha mulher, arrumei outra mulher. Por isso que eu demorei tanto, gostei tanto de lá. Aí eu fui promovido pra Macau, permutei com Darci Oliveira pra Assú. Não! Espera aí! Pulei uma! De São Miguel eu fui pra Macau. De São Miguel eu fui pra Mossoró! Areia Branca. De Mossoró eu fui pra Currais Novos, eu era titular de Macau, permutei com Darci, eu ainda passei um tempo em Macau, permutei com Darci e fui para Assú. Aí de Assú eu vim pra cá(Natal) como Procurador. Foi a única maneira de me tirarem do interior, foi me colocar como Procurador.
Projeto Memorial do Ministério Público:
O senhor se aposentou como procurador?
Cesário Mariz Maia:
Foi. Eu comecei sendo o primeiro Procurador de Justiça, depois permutei com Anísio Marinho, ele passou a ser o primeiro e eu o terceiro.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Então o senhor se aposentou como terceiro Procurador?
Cesário Mariz Maia:
Eu era o terceiro Procurador.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Quando o senhor entrou, onde era a sede do Ministério Público?
Cesário Mariz Maia:
Não tinha sede. A única cidade quando entrei, que eu me lembre, que tinha uma casa, dos juizes, era Alexandria. Logicamente que Mossoró deveria ter. E talvez alguma outra.
Projeto Memorial do Ministério Público:
E a da Procuradoria, onde era?
Cesário Mariz Maia:
Era na Deodoro.
Projeto Memorial do Ministério Público:
Qual era a visão do senhor sobre o Ministério Público?
Cesário Mariz Maia:
O Ministério Público quando eu entrei era muito restrito. A gente se limitava a ser um promotor que funcionava somente em processos penais. Era denúncia de crimes, de homicídios, latrocínios, roubo, furto, todo tipo de coisa, lesão corporal, e os assuntos de família: casamento, divórcio, separação, naquele tempo até o tal do desquite.
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